Tá tudo bem não estar interessado em ninguém, só em você mesmo

Você não é amarga ou solitária por não amar alguém romanticamente – e suas amigas estão sempre aí para te lembrar disso

Por Juliana Morales Atualizado em 14 fev 2025, 16h46 - Publicado em 14 fev 2025, 16h25

É comum acreditar que não dá para ficar com o coração livre de fato. Na cabeça de muitas pessoas, ainda existe apenas duas opções: estar apaixonada e feliz com alguém, ou se curando de um coração partido. Afinal, não é possível que alguém viva sem nutrir sentimento por uma outra pessoa, seja ele recíproco ou não, né? Bom, na verdade, é sim, mas existe uma ideia coletiva que nos faz pensar o contrário.

Já reparou que somos fascinados por histórias de amor? Esse sentimento guia a literatura, a música e o audiovisual. E essas histórias não precisam ser, necessariamente, felizes. Como explica a psicanalista Ana Suy, em A gente mira no amor e acerta na solidão*, “às vezes é a versão sofrida do amor que nos captura”. O segundo ponto é que quando falamos de amor sempre acabamos nos referindo ao romântico e no sentido sexual.

Tudo isso faz parecer que quando temos uma outra pessoa, temos o amor, e nos sentimos mais completos – mas não é bem assim. “Há muitas formas de amar e nenhuma delas é exatamente fácil, umas vez que nenhuma delas nos livra da solidão”, escreveu Ana Suy. Ela destaca ainda que “a solidão é uma ilusão, porque em última instância a gente nunca está sozinho, mas está com a gente mesmo”.

E ficar com a gente mesmo não é ser amargo e solitário – por mais que, em dias como o Valentine’s Day ou o Dia dos Namorados aqui do Brasil, dê ainda mais essa sensação. O amor romântico não deve ser visto como uma meta a ser alcançada a todo custo e por todo mundo. Tem pessoas que não querem se relacionar e isso não significa que elas não experimentam sentimentos e carinhos. Essa é uma ideia bem equivocada, que na maioria das vezes carrega uma boa dose de machismo, já que as mulheres são as maiores vítimas desse tipo de comentário.

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Mas como descentralizar o amor romântico das nossas vidas?

A resposta pode estar nas suas amigas, sabia? Durante um episódio de podcast,  Luana Carvalho, host do “bom mesmo é ser emocionada”, fez uma analogia interessante para pensar na importância da amizade feminina para descentralizar o amor romântico.

Ela diz que gosta de pensar na vida da mulher como um armário. Nele, existem várias gavetas e sempre tem um espaço maior, onde colocamos, normalmente, roupas de frio e edredons que são mais pesados. “Como mulher, aprendemos que o amor romântico deve ocupar esse espaço maior na nossa vida. Só que vamos crescendo e percebendo que existem milhares de outros espaços que precisam ser ocupados”, diz.

Isso não quer dizer que o romance não é importante ou que é preciso classificar sentimentos, viu? Não é que uma coisa exclui a outra, mas o amor de amizade entre mulheres tem um papel muito fundamental na nossa vida de descentralizar o amor romântico e colocá-lo na prateleira que ele precisa estar na sua vida e não em todas as gavetas. 

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