Lady Gaga ignora regras e faz de MAYHEM um caos oitentista irresistível
Entre sintetizadores sombrios e baladas grandiosas, MAYHEM vira as expectativas dos little monsters de ponta cabeça.

mother monster nunca foi uma artista de seguir roteiros previsíveis. Com seu sétimo álbum de estúdio, Lady Gaga continua a brincar com as expectativas do público, reinventando sua sonoridade e estética a cada era. MAYHEM, seu mais novo trabalho, chegou nesta sexta-feira (7) carregado de mistério, nostalgia e um toque de caos organizado.
Desde que Disease foi lançado como primeiro single, os fãs começaram a especular que Gaga entregaria um álbum sombrio e enérgico, uma espécie de retorno ao The Fame Monster e Born This Way. A estética dark pop foi reforçada com Abracadabra, que virou um grande sucesso – e terminou com a piada do hit solo.
Entre esses lançamentos, Gaga ainda anunciou que Die With a Smile, sua colaboração com Bruno Mars, também faria parte do disco, e foi aí que começou a incerteza: se o álbum era para ser sombrio, como essa balada super comercial se encaixaria?
A resposta veio com o lançamento oficial de MAYHEM: Die With a Smile combina mais com o álbum do que Disease e Abracadabra. O disco começa com um pop vibrante e sombrio, mas aos poucos se transforma em uma carta de amor ao rock dos anos 80.
Entre sintetizadores, guitarras estridentes e melodias grandiosas, Lady Gaga criou um disco que é mais sobre liberdade criativa do que sobre atender expectativas de um público sedento por uma repetição do passado.
O álbum parece dividido em três atos. O primeiro, com faixas como Disease e Perfect Celebrity, resgata o lado mais teatral e sombrio de Gaga, com vocais grandiosos e uma produção refinada. Garden of Eden aparece como um destaque do disco, trazendo um synthpop energético e uma ponte avassaladora. Na mesma vibe, Vanish Into You transporta o ouvinte de volta à era The Fame Monster, com uma melodia viciante e um ar nostálgico que poucos artistas conseguem recriar.
No meio do álbum, a coisa muda. O synthpop começa a dar espaço para um som mais inspirado no rock e na disco music. Killah é uma viagem Bowieana com toques de Prince, cheia de experimentações sonoras e uma produção que beira o psicodélico. A faixa usa uma linha de guitarra icônica que remete ao clássico Fame de David Bowie, e a influência do artista é palpável em cada segundo da canção.
Zombieboy traz um refrão épico que parece uma prima perdida de Disco Heaven, com um dos melhores ganchos da carreira de Gaga. Lovedrug, com uma referência genial a Harlequin, é uma das faixas mais cativantes e comerciais do disco, com um final de guitarra eletrizante.
How Bad Do U Want Me surge como uma surpresa: muitos fãs compararam sua estrutura com canções de Taylor Swift, mas com o toque vocal poderoso de Gaga que eleva a balada a outro nível. O flerte com o pop mais acessível é evidente, mas sem perder a autenticidade. Don’t Call Tonight se destaca com um instrumental digno de uma pista de dança dos anos 80.
Na reta final, Gaga aposta no sentimentalismo. Shadow of a Man resgata uma vibe digna de Michael Jackson, destacando o talento da cantora em criar narrativas emocionantes. The Beast traz um rock gótico e dramático sobre um amante que se transforma em lobisomem, uma metáfora para as transformações que ela mesma vive no palco. Blade of Grass encerra o disco com uma proposta romântica e melancólica – como se fosse uma versão mais sombria e realista de Gypsy, faixa do ARTPOP.
Por fim, Die With a Smile confirma sua posição como a balada mais grandiosa do álbum. Muitos acreditavam que sua inclusão era apenas para alavancar os streams, mas dentro do contexto de MAYHEM, ela se encaixa como um desfecho emocionante para uma jornada sonora rica e multifacetada.
MAYHEM pode não ser o sucessor natural de Born This Way que alguns esperavam, mas é um disco feito para quem ama música. Há um pouco de tudo: rock oitentista, pop alternativo, melodias dramáticas e até um toque de disco music.
Lady Gaga mais uma vez provou que está livre para explorar e criar sem amarras. E, sejamos sinceros, o caos nunca soou tão bem quanto na voz de Gaga.