Como era a CAPRICHO em 1958, ano em que se passa ‘Garota do Momento’

Sim. A CH nasceu em 1952 e está vivona até hoje, mas resolvemos entrar em uma espécie de máquina do tempo.

Por Andréa Martinelli Atualizado em 27 fev 2025, 18h56 - Publicado em 27 fev 2025, 06h00
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ue você é fã da novela Garota do Momento, nós já sabemos. Que a CAPRICHO está acompanhando a novela das 19h da TV Globo com muita atenção e te informando sobre o que está rolando dentro e fora das telas, também não é novidade. Agora, você sabia que a CH já existia em 1958, ano em que a história da novela se passa?

Aham. A “capri” para os íntimos, nasceu em 1952 e já era uma sensação – para entrar no clima de gírias da época – entre as mulheres jovens naquele ano. Ela é a primeira publicação em revista da Editora Abril e atravessa décadas se consolidando como um ícone do estilo de vida de meninas e juventudes no Brasil. É uma jovem senhora de 73 anos com muito orgulho.

Ok, mas o que estava acontecendo no mundo e como era a CAPRICHO naquela época? Bem, é isso que queremos te contar. Nós fomos investigar e pedimos à equipe do acervo da Editora Abril – nossa dona e proprietária – para que a edição completa de fevereiro de 1958 fosse digitalizada. Todo o acervo da revista é mantido e cuidado por toda uma equipe especializada.

E aqui vai um spoiler: a revista era muito, muito diferente da que você conhece hoje. Em um momento da nossa história em que poucos tinham televisão em casa, o rádio era a bola da vez e as publicações impressas eram um escape e uma forma de vender novos produtos. A gente te explica.

Quanto custava a CAPRICHO?

Com o gancho de “A revista da mulher moderna”, a CAPRICHO custava s$r 10 cruzeiros e trouxe Julieta na capa de fevereiro, uma jovem que provavelmente era modelo à época, segurando uma máscara de Carnaval na mão, já aproveitando a sazonalidade temporal da época – algo que fazemos até hoje para criar capas e pautas, mas de um jeito bem diferente.

Quem era a ‘garota da capa’?

Mas você se engana que dentro da revista há uma entrevista com a personagem de capa, como fazemos hoje. Muito pelo contrário – ela está na capa apenas para ilustrá-la e direcionar a publicação para o público feminino.

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Na época, era um verdadeiro chuá ser capa de revista ou de campanhas publicitárias, tal qual o momento que a Beatriz (Duda Santos) vive na novela, como garota-propaganda da Perfumaria Carioca na novela da Globo.

"Julieta" é capa da CAPRICHO de fevereiro de 1958, ano em que se passa Garota do Momento.
“Julieta” é capa da CAPRICHO de fevereiro de 1958, ano em que se passa Garota do Momento. Acervo/Editora Abril/CAPRICHO

Já existiam testes e horóscopo naquela época?

Infelizmente, não. Em 58 não existiam reportagens ou matérias. O foco da revista eram as chamadas Fotonovelas – um estilo clássico de contar histórias que se popularizou muito na época – e em contos, baseados em histórias dramáticas e românticas que moldavam o comportamento feminino da época.

Ah, e ponto importante:

vale lembrar que lá em 58 as mulheres já tinham o direito ao voto, mas ainda precisavam da autorização do marido para trabalhar (você se lembra da cena da Clarice, interpretada por Carol Castro, pedindo autorização para o Juliano, personagem de Fábio Assunção, né? Então…). O divórcio ainda não era algo tão comum, e era chamado de “desquite” na época. Mas uma mulher “desquitada” não era tão bem vista assim, viu? As coisas eram bem diferentes para as mulheres.

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"Julieta" é capa da CAPRICHO de fevereiro de 1958, ano em que se passa Garota do Momento.
Acervo/Editora Abril/CAPRICHO

Mas e os conteúdos de moda e beleza?

Nesta edição de fevereiro, encontramos uma página dupla que falava sobre o uso das saias da época. Chamadas de “toilette”, as saias rodadas ganhavam várias roupagens: desde renda com algodão, organza, linho e até com efeito plissado. Um clássico da época, pautado pela renovação que estava acontecendo na Dior, que lançou o modelo com a cintura marcada.

Assinado por Silvana Alcorso, o texto diz que “nada mais bonito do que uma mulher elegante usando uma ‘toilette’ que combina com seu tipo, elegante, mas não exagerado.”

capricho em 1958
Imagens de página dupla de texto e colagens feitas para falar sobre a saia da época na CAPRICHO de 1958. Acervo/Editora Abril/CAPRICHO

Como eram as publicidades?

Você deve acompanhar a rotina da agência de publicidade Hi-Fi em Garota do Momento. Naquela época, os anúncios eram feitos à mão, dá para acreditar? Muitos ilustradores trabalhavam nesse ramo para criar artes específicas para os produtos em um mundo em que photoshop e inteligência artificial era algo muito, muito distante.

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A CAPRICHO era produzida por uma equipe totalmente masculina e trazia publicidade de produtos alimentícios, cursos de atividades manuais, de limpeza e, também, de moda e beleza. Afinal, eram apenas esses produtos que eram entendidos como “feitos para o público feminino”. Dá só uma olhada em uma das páginas:

Página dupla da CAPRICHO de 1958 em que duas publicidades estão em destaque.
Página dupla da CAPRICHO de 1958 em que duas publicidades estão em destaque. Acervo/Editora Abril/CAPRICHO

E olha só como era um anúncio da pasta de dente Sorriso, a antiga Kolynos:

"Julieta" é capa da CAPRICHO de fevereiro de 1958, ano em que se passa Garota do Momento.
Acervo/Editora Abril/CAPRICHO

E a CAPRICHO hoje?

Por aqui, já passaram muitos jornalistas que hoje estão trabalhando em outros veículos renomados da imprensa nacional ou seguiram carreira independente. Já promovemos festivais de música, eventos, experiências e capas que até hoje são referências (oi, Luana Piovani, você lembra?) no mercado de comunicação nacional.

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Hoje nós temos mais de 20 milhões de pessoas que nos acompanham em todas as redes sociais em que estamos presente e temos cerca de 4 milhões de acesso ao nosso site por mês. Ou seja, influenciamos ainda hoje jovens em todo o país com conteúdos relevantes e inspiradores sobre moda, beleza, comportamento, entretenimento e sociedade.

E você certamente acompanhou: em 2023, a revista foi reformulada e retomou as edições digitais com novo posicionamento editorial, pautado pela criatividade e expressão; em dezembro de 2024, aconteceu o tão falado “retorno da CAPRICHO para o impresso” provando que revista é coisa da galera jovem, sim. 

Veja abaixo todas as capas da CAPRICHO de 1958:

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