Como lidar com o preconceito nas festas de fim de ano sendo jovem LGBTQ+

Nem sempre a família oferece um ambiente acolhedor e a culpa não é sua, tá?

Por Juliana Morales Atualizado em 23 dez 2024, 00h34 - Publicado em 22 dez 2024, 19h00

“Natal é só alegria e amor”. Não, nem sempre… Para muitos jovens LGBTQIA+, festas de fim de ano são sinônimos de encontros familiares difíceis e exposição a comentários preconceituosos. “As experiências negativas durante as confraternizações de ano podem afetar a forma como a pessoa se relaciona com os outros e consigo mesma”, diz Bárbara Campos, psicóloga cognitivo-comportamental com foco em mulheres e pessoas LGBT+.

Em entrevista à CAPRICHO, a especialista explica que a repressão de sentimentos como raiva, tristeza e frustração, por medo de confrontos ou de magoar os familiares, pode levar a dificuldades em lidar com as próprias emoções. “Quando a família não oferece um ambiente acolhedor, os jovens podem se sentir inseguros sobre si mesmos, impactando no questionamento do próprio valor e no senso de pertencimento, algo comum nas pessoas LGBTI+”, diz.

Como lidar e se proteger dos comentários preconceituosos nas festas?

Antes de dar dicas de como se proteger desse tipo de situação, Bárbara ressalta que é importante que a nossa galera saiba que essa apreensão diante do encontro com a família é válida, especialmente quando há histórico de comentários preconceituosos. “Gostaria de ressaltar que sua identidade e sexualidade são válidas e merecem ser respeitadas“, afirma.

A psicóloga diz que a comunicação assertiva e direta é uma das melhores formas de lidar com o problema. “Se possível, converse com um familiar mais próximo sobre suas preocupações. Explicar como os comentários os afetam pode abrir um canal de diálogo e, quem sabe, gerar uma mudança de atitude”, aconselha.

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Ela acrescenta que estabelecer limites e definir quais comportamentos você não tolera é fundamental. “Planeje suas respostas, antecipar possíveis comentários pode te ajudar a preparar respostas assertivas e tranquilas. É importante lembrar que você não precisa justificar sua identidade para ninguém“, diz. Além disso, se alguém fizer um comentário ofensivo, você pode se retirar da conversa, mudar de assunto ou até mesmo pedir para que parem.

Criar uma rede de apoio é outro ponto muito importante. A dica é conversar com amigos e colegas LGBTI (ou não), outros familiares que te apoiem e te façam sentir bem. Ter pessoas em quem confiar pode te ajudar a lidar com emoções difíceis. “E se a situação se tornar insuportável, tenha um plano de fuga. Isso pode significar ir para outro cômodo, dar uma volta ou até mesmo sair de casa por um tempo”, sugere Bárbara.

E quando não é só no Natal?

Os comentários maldosos e preconceituosos tendem a ficar mais evidentes nas festas de fim de ano por ser um momento em que, geralmente, a família toda (inclusive quem está mais distante) se reúne. No entanto, sabemos que a discriminação com a comunidade não é uma situação pontual ou de época, mas acontece o ano todo e isso é muito prejudicial para a saúde mental dos jovens, como explica Ágatha D’Luca, psicóloga sócio-histórica e afirmativa, que “auxilia mulheres e LGBTQIAPN+ que precisam de um local seguro para ser”.

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“De tanto ouvir falar depreciativas e preconceituosas, a pessoa, que já tem inseguranças e medos em relação ao tema, vai internalizar ainda mais esses julgamentos”, diz e explica os efeitos disso no futuro: “isso pode aparecer na forma de autossabotagem ou de uma autocobrança muito grande em outras áreas da vida, mas que, na verdade, está ligado a esse contexto hostil”. Por isso, contar com ajuda de uma psicóloga é tão importante, viu? Ágatha afirma que a realidade de cada jovem, com recorte social, cultural, racial, geográfico e a dinâmica da família, deve ser levada em consideração na hora de tratar essas questões.

Diante da especificidade de cada caso, a psicóloga acrescenta que, nas festas de fim de ano ou no dia a dia, é importante que o jovem perceba e entenda, dentro do seu próprio contexto, qual é a melhor forma de lidar com os comportamentos e falas maldosas da família e como ele se sente mais confortável. Ela reforça que ter amigos e familiares de confiança como rede de apoio é muito importante. Você não está sozinhe!

 

 

 

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