Erros de português e de estrutura de redação para não cometer no Enem
Nada de cair nestas 11 ciladas gramaticais nem fugir da estrutura proposta na redação, cujo texto é o dissertativo-argumentativo
Aquele momento fatídico do ano chegou: o Enem! No próximo domingo (13), rola o primeiro dia de prova, com a aplicação dos cadernos de Linguagens e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, mais a redação. O candidato tem 5h30 para entregar a avaliação finalizada.
No domingo seguinte (20), rola o segundo dia de prova, com a aplicação dos cadernos de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, e Matemática e suas Tecnologias. O tempo de prova é de 5h no total. E, apesar de temas de exatas assustarem, algumas regrinhas de gramática e detalhes sobre estrutura de texto podem complicar a vida dos candidatos e fazer toda a diferença no final.
Pensando nisso, a CH e o Colégio Mopi juntaram novamente forças para te contar desta vez quais erros de português são mais comuns de serem cometidos no Enem – e que você deve evitar! – e quais equívocos com relação à redação também devem ser evitados. Bora descobrir?
11 ERROS DE PORTUGUÊS PARA NÃO COMETER NO ENEM
Andréa de Luca, Orientadora Educacional e especialista em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira do Colégio Mopi, lista a seguir as principais confusões que o candidato pode acabar fazendo por nervosismo, falta de atenção ou ansiedade.
1. A fim/Afim/Afins
– “A fim” é uma locução prepositiva que indica finalidada e que podemos substituir por “para”.
Ex: Escrevo hoje a fim de demonstrar toda a minha admiração por vocês, queridos.
– “Afim/Afins” transmitem a ideia de parecido, similar.
Ex: Concordamos na questão, portanto, temos uma opinião afim. / Não concordamos porque nossas opiniões não eram afins.
2. Ao invés de/Em vez de
– “Ao invés de” indica oposição, ideia contrária.
Ex: A pobreza, ao invés de melhorar, só piora.
– “Em vez de” indica uma simples troca, um substituição.
Ex: Em vez de jantar, fiz um breve lanche.
3. Eu/Mim
– Usamos o “eu” quando a frase tiver verbo.
Ex: Isso é para eu fazer?
– Usamos o “mim” na ausência de verbo. Geralmente, no final de frases.
Ex: Faça isso para mim.
4. Ah/Há
– “Ah” é uma interjeição que indica admiração, espanto, ironia, desejo, entre outros significados.
Ex: Ah, que bom falar com você de novo!
– “Há” vem do verbo haver, tem o sentido de existir e indica tempo passado.
Ex: Há quanto tempo não nos vemos!
Obs: Tem sido muito comum, verificar na escrita das redes sociais o uso incorreto de “há, tá” no sentido de “entendi”. O correto seria “ah, tá”.
5. Mais/Mas
– “Mas” é uma conjunção coordenativa, usada com sentido de oposição. Ela pode ser substituída por outras conjunções como porém, contudo, todavia, dentre outras de mesmo valor.
Ex: Foi ao cinema, mas não gostou do filme.
– “Mais” indica ideia de quantidade, aumento de alguma coisa.
Ex: Gostaria de ganhar mais dinheiro no trabalho.
6. Descrição/Discrição
– “Descrição” é o ato de descrever e representar algo ou alguém por palavras.
Ex: O professor pediu a descrição exata da imagem em exposição.
– “Discrição” é a qualidade de quem é discreto.
Ex: Conto com sua discrição sobre o assunto.
7. Sob/Sobre
– “Sob” é uma preposição e indica posição abaixo.
Ex: Achei o copo sob [embaixo da] a mesa.
– “Sobre” também é uma preposição e indica “acima de” ou “em cima de”.
Ex: Por favor, coloque o vaso de flores sobre a mesa.
8. Meio/Meia
– “Meio” é a expressão empregada no sentido de “um pouco”.
Ex: Ela estava meio triste ontem, não achou?
– “Meia” pode ter o significado de peça de roupa (meia que se coloca no pé) ou numeral.
Ex: Sou friorenta e gosto de usar meias para dormir. / O encontro está marcado para meio-dia e meia. (metade da hora)
9. Onde/Aonde
– Usamos “onde” com verbos que indicam permanência, ou seja, ausência de movimento.
Ex: Conheço o lugar onde você nasceu.
– Usamos “aonde” com verbos que indicam movimento.
Ex: Não vi aonde ele foi.
10 – Vir/Vim
– Usamos “vim” quando a frase se referir ao passado.
Ex: Eu vim aqui ano passado.
– Usamos “vir” quando a frase não estiver no passado.
Ex: Sabe me dizer se ele vai vir hoje?
Obs: “vir” ainda pode ser usado no sentido de ver!
Ex: Quando você vir a professora, diga que estou finalizando o trabalho. (correto) / Quando você ver a professora, diga que estou finalizando o trabalho. (incorreto)
11. Houve/Houveram
O verbo “haver”, no sentido de existir, é conjugado somente na terceira pessoa do singular, ou seja, houve.
Ex: Houve diversas reclamações sobre o novo funcionário.
Obs: Empregamos “houveram” com sentido de ter, não mais com o sentido de existir.
Ex: Eles houveram de ir à reunião em pleno domingo.
ERROS COM RELAÇÃO À ESTRUTURA TEXTUAL PARA NÃO COMETER
Agora chegou a vez da Adriana Gonçalves, professora de Produção Textual e Língua Portuguesa do Colégio Mopi (RJ), falar sobre o tipo de texto exigido pelo Enem, que é o dissertativo-argumentativo. Se o candidato fugir dessa estrutura, a redação é automaticamente zerada.
“A estrutura básica do texto dissertativo-argumentativo do Enem compreende três partes: introdução, desenvolvimento/discussão e conclusão/proposta de intervenção”, explica a docente. Na introdução, é importante apresentar seu ponto de vista e ser bastante articulado, introduzindo uma discussão ao tema. Ah! É interessante fazer referência às palavras-chave da proposta de redação nesta parte, tá?
Depois, vem o desenvolvimento, parte do texto em que o candidato deve desenvolver o ponto de vista apresentado anteriormente em dois parágrafos. “O candidato deve apresentar um repertório próprio que valide a tese. É aconselhável que essa parte do texto seja composta por dois parágrafos que estejam interligados por operador argumentativo. É importante que os repertórios (alusões históricas, literárias, cinematográficas, dados estatísticos, exemplos ou citações) sejam pertinentes, legítimos e desenvolvidos”, pontua a professora.
Por fim, chegamos à conclusão, momento em que se espera que o candidato conclua seu percurso argumentativo retomando a tese e apresentando um fechamento, uma solução, para os argumentos apresentados. “Ou seja, o candidato deve retomar o repertório da introdução e propor uma intervenção que apresente agente, ação, meio, finalidade e detalhamento de um dos elementos anteriores”, conlcui Adriana.
A professora de Produção Textual aproveita ainda para listar alguns temas que podem ser cobrados pela banca avaliadora neste ano:
- Ensino à distância: garantia de acesso à educação básica no Brasil
- Desafios do trabalho remoto na sociedade brasileira
- Caminhos para combater a escassez de água no Brasil
- A importância do subsídio à produção cultural na sociedade brasileira
- Investimento em tecnologia na saúde: estratégias de preservação da vida humana
Boa sorte, boa prova!