Disney retira história trans de animação e introduz personagem cristã
Decisão do estúdio reacende discussões sobre diversidade e representatividade em suas produções.

o final de 2024, a Disney tomou uma decisão controversa ao retirar uma cena que confirmava uma personagem como trans na animação Ganhar ou Perder. Pouco tempo depois, a série ganhou uma nova personagem: Laurie, que se tornou a primeira figura cristã abertamente retratada em uma produção do estúdio nos últimos 20 anos.
A animação, lançada no Disney+, acompanha os Pickles, um time de softball escolar, na semana anterior a um grande campeonato. Cada episódio foca em um integrante do grupo, mostrando sua rotina dentro e fora do esporte. Laurie, interpretada por Rosanna Jean Foss, é filha do treinador Dan (Will Forte) e sua fé é um traço marcante de sua personalidade.
De acordo com o portal WDW News Today, Laurie é a primeira personagem cristã assumida em uma produção da Disney desde 2007, quando Ponte para Terabítia (sim, aquele que traumatizou a infância de uma geração) apresentou protagonistas que discutiam suas crenças.
Se a introdução de Laurie foi bem recebida por parte do público, a remoção da história trans gerou frustração. A cena excluída revelaria que Kai, personagem dublada pela atriz trans Chanel Stewart, era uma garota trans. Em dezembro, a Disney explicou a decisão alegando que “muitos pais preferem abordar certos temas com seus filhos no momento e da maneira que acharem adequados”.
Stewart, que foi escalada após um teste para atrizes trans adolescentes, expressou sua decepção ao Deadline: “Eu estava animada para compartilhar minha história e dar visibilidade a jovens trans. Fiquei desanimada ao saber que essa cena foi cortada”. A atriz também afirmou que foi informada de que sua personagem permaneceria na série, mas agora como uma menina cisgênero e heterossexual.
As decisões recentes da Disney levantam questionamentos sobre seu posicionamento em um ambiente cultural e político cada vez mais polarizado. Algumas de suas ações recentes sugerem um esforço para evitar confrontos com setores mais conservadores. Além da remoção da história trans em Ganhar ou Perder, a Disney também engavetou um episódio de Garota da Lua e o Dinossauro Demônio que abordava uma atleta trans e cancelou Tiana, série animada que traria de volta a primeira princesa negra do estúdio.
Com um histórico de inclusão LGBTQIA+ considerado tímido por alguns ativistas e a constante pressão de grupos conservadores, a grande questão que fica é: para onde a Disney está direcionando sua narrativa?