Tyla sabe exatamente quem é e mostra que está crescendo em ‘A*POP’
No segundo disco, cantora mistura sonoridades com personalidade, embora nem todas as faixas funcionem
xiste uma pressão especial em torno do segundo álbum de uma artista que explodiu logo na estreia. Tyla poderia tentar reproduzir exatamente o sucesso do disco autointitulado de 2024 ou mudar completamente de direção para provar sua versatilidade. Em A*POP, lançado nesta sexta-feira (24), ela escolhe uma terceira opção: permanece fiel à própria identidade enquanto começa a descobrir quantos caminhos ainda pode seguir dentro dela.
Isso fica claro logo na abertura, Is It Love. Entre uma guitarra marcante, batidas envolventes e um refrão bem chiclete, a faixa reúne elementos que já se tornaram quase uma assinatura da sul-africana: o encontro entre pop, R&B, amapiano, sensualidade e vocais delicados, mas cheios de personalidade.
Um dos maiores triunfos de Tyla é que bastam poucos segundos para reconhecer que aquela é uma música sua. Essa é uma conquista especialmente importante para alguém que está apenas no segundo álbum da carreira.
Double Blind é um dos grandes destaques do projeto. Com uma batida mais lenta e sensual, a música é perfeita para quando estamos nos arrumando para sair e precisamos de um boost na autoestima, sabe? Eu sei que você sabe. Mr. Nonchalant segue por um caminho parecido, mas adiciona uma dose extra de provocação e humor.
Outras faixas ajudam a reforçar a atmosfera de diva pop dos anos 2000. Right Now brinca com referências daquela época sem soar datada, enquanto Kiss aposta em uma produção feita para a pista ainda que o refrão não seja tão marcante quanto a batida. Já That Girl mantém o álbum em movimento com mais uma mistura de afrobeats e pop.
Entre as canções que já eram conhecidas, Is It continua sendo uma das melhores de sua discografia. É divertida, fresh e com uma energia de estrela pop que parece cada vez mais natural para Tyla. O hit absoluto Chanel também permanece como um dos pontos mais fortes do repertório.
A parceria com Zara Larsson em She Did It Again talvez não seja o grande acontecimento pop que o encontro entre as duas sugeria, mas ganha força dentro do álbum. As vozes e as imagens das artistas combinam e o feat tem ganhado mais forças nas apresentações da sueca. Além de Zara, o disco traz participações de Liquideep, MaWhoo e Babalwa M (mas nenhuma tão interessante).
O problema é que, com 14 faixas, A*POP demora um pouco para reconhecer que seus momentos fracos. Fairytale e Feel Something são agradáveis, mas não deixam uma impressão tão forte. Na reta final, Crazy of Me parece repetir ideias apresentadas de formas mais interessantes anteriormente, enquanto I Don’t Care cresce aos poucos, mas funcionaria melhor em outra posição da tracklist. Hot Tubs, escolhida para encerrar o álbum, é desnecessaria.
A*POP não reinventa Tyla. O álbum mostra uma artista que já possui voz, estética e sonoridade próprias, algo raro para alguém em uma fase tão inicial da carreira. O próximo passo talvez seja apenas aprender a selecionar melhor quais músicas merecem permanecer em seus projetos.
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