‘Wicked: Parte 2’ é o desfecho duro e necessário das bruxas de Oz

Conclusão da história de Glinda e Elphaba se mantém fiel ao teatro, sem deixar de trazer camadas humanas e complexidade às protagonistas.

Por Mavi Faria 20 nov 2025, 15h53 | Atualizado em 8 jun 2026, 13h36
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om a missão de manter o sucesso do primeiro filme e de transformar o ato mais apressado do teatro em um longa-metragem de quase 2h30, Wicked: Parte 2 consegue ser o desfecho intenso, emotivo e organizado que a história merecia. Lançado nesta quinta-feira (20) nos cinemas, a obra mergulha em crítica social, propaganda política, valores pessoais, exílio e luto, enquanto mostra uma versão mais madura das duas protagonistas.

Longe das intrigas e dramas mais superficiais que acendem a faísca da dualidade entre Glinda e Elphaba na primeira parte de Wicked, a sequência mantém a cronologia do teatro, mostrando ambas lidando com as consequências de suas decisões: de um lado, Elphaba decide lutar contra o Mágico de Oz e ganha o nome de Bruxa Má do Oeste; do outro, Glinda assume a confortável posição de trazer leveza e alegria à população de Oz e se torna a Bruxa Boa do Norte.

Embora os acontecimentos ao longo do filme sejam os mesmos do segundo ato da peça, a sensação ainda é de estar assistindo a uma história diferente — ou ao menos por uma perspectiva diferente. Nos palcos, as cenas correm apressada e sem muito contexto; já no longa, o diretor Jon M. Chu consegue desenhar as razões por trás de cada atitude, seus desenrolares futuros e assumiu espaço criativo para acrescentar camadas que deixam os personagens de Oz mais complexos e, com isso, mais humanos. Não é difícil sair do cinema com o desconforto da dúvida de não encontrar somente culpados ou vítimas, mas sim justificas pessoais compreensíveis que te levam a questionar: o que você faria no lugar dessa pessoa?

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As grandes novidades na história, por outro lado, são as novas músicas feitas pelo compositor original da peça, Stephen Schwartz, The Girl in the Bubble e No Place Like Home, performadas por Glinda e Elphaba respectivamente. Elas podem soar simples demais e até insignificantes, perdendo destaque para as já conhecidas For Good e No Good Deed.

Mesmo sem carregar a mesma popularidade e força que Defying Gravity, Popular e What Is This Feeling, da primeira parte, as canções já conhecidas entre os fãs são a representação da dúvida e da consciência das protagonistas sobre suas escolhas de vida, e abrem espaço para a transformação individual em cada uma — características que faltam nas adições musicais.

O grande problema ao assistir Wicked é, na verdade, a comparação entre os dois filmes. Assim como no teatro, as duas partes da história não só são opostas, como também complementares. Se a carga dramática do começo é mais leve e o alívio cômico, muito guiado por Glinda, é fortemente presente, no final, ela é densa ao ponto de ser desconfortável. Nenhuma versão no final é completamente satisfatória e todos finalizam o filme carregando uma dor específica de si. Não há brechas para a ingenuidade e o longa deixa claro: todo bem tem seu preço.

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Os personagens que haviam sentido pertencimento entre si vão de encontro à porta da realidade, tensionando pressionando suas verdades sobre si e sobre o mundo. A própria transformação de Boq (Ethan Slater) no Homem de Lata consegue ser ainda mais brutal do que na peça, com o doce jovem Munchkin se tornando uma figura amargurada, movida pela raiva e pelo desejo de vingança.

Mas é com Cynthia Erivo e Ariana Grande que o filme consegue tomar outra dimensão. Para além do talento vocal impressionante — que contrasta até demais com a inexperiência de Michelle Yeoh, no papel de Madame Morible — a versão de Elphaba e Glinda das atrizes deixa tangível o amor incondicional e a dor profunda que uma sente pela outra, o que faz o desenrolar da amizade ser ainda mais intenso. Erivo molda uma heroína com tanta garra, fé e esperança no que é certo que, à medida que há o questionamento de si mesma, o próprio público questiona o que vale ou não a pena lutar.

Já Grande prova que o humor característico de Glinda só representa uma camada da personagem. O amadurecimento da Bruxa Boa do Norte é tão sofrido quanto palpável, e a atriz consegue fazer sua persona de estrela pop sumir por completo em meio à tristeza, ao drama e ao desespero de quem se vê perdendo tudo que mais ama.

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Em especial para os fãs do livro e da peça, Wicked: Parte 2 concretiza uma adaptação aguardada que aprofunda a história sem deixar a fidelidade de lado. Para quem se depara com a história das bruxas de Oz pela primeira vez, é a oportunidade de encontrar um espelho da vida mundana em um mundo encantado, que prova por A mais B a complexidade das relações humanas — principalmente quando envolvem o amor.

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