ssim como inspira o conceito-chave desta revista (manifeste, desobedeça, seja você), a desobediência e inquietude da baiana Jeysa Ribeiro, 24 anos, fizeram nascer um dos maiores nomes da cena atual do rap brasileiro: Duquesa.
Como ela mesma explica: “Quando, em Big D, eu canto ‘numa mesa de negócios, não seja tão mansa, de qualquer forma você vai ser agressiva’, eu pego essa persona para mim. Eu ficava, ‘nossa, será que não vai rolar nunca para mim? Por que não tá acontecendo comigo? E aí falei: ‘mano, é isso, eu vou com os dois pés na porta e o mundo vai me ouvir.”
A resposta vocês já sabem: eles ouviram.
Nascida em 1 de maio de 2000, em Feira de Santana, Bahia, a artista é formada em publicidade, mas se apaixonou pela arte de fazer música ainda adolescente, quando acompanhava seus amigos de batalhas de rima.
“Sempre tive gosto por coisas que eram muito fora da curva no meu ambiente familiar, que é tipo: ‘trabalhe, faça concurso, faculdade, espere a aposentadoria e viva’”, conta. Fora da curva, suas barras hoje somam mais de 30 milhões de ouvintes, diga-se de passagem.
Seu primeiro EP de estúdio, Sinto Muito, foi lançado em 2019 com uma pegada mais R&B e referências como SZA. No entanto, foi em Taurus que Duquesa triunfou de vez na cena do rap, e com Taurus Vol. 2 que ganhou repercussão pelo Brasil afora.
“No meu primeiro projeto, eu falei ‘nossa, mano, eu acho que é isso, eu sou R&B, a SZA é minha ídola e é isso’. Depois entendi que gostava dos dois, de rimar e cantar”, reflete ela.
Mudando o plano, fez suas rimas virarem plaquê. Esse segundo álbum rendeu indicações como Melhor Novo Artista Internacional no BET Awards 2024 e mais um montão de indicações nacionais no mesmo ano. Aliás, uma curiosidade: no dia anterior a esta entrevista, a artista venceu o Trace Awards de Best Artist – Brazil, ok?
Ela canta sobre amor, sobre o orgulho de ser do DDD 75 e sobre autoestima. Ao relatar as vivências de Jeysa — uma mulher jovem, preta, nordestina e correria — com a veia artística de Duquesa, as músicas da Big D se tornam verdadeiros manifestos. E é por isso que ela estrela a capa da edição de março da CAPRICHO.
Leia a entrevista completa abaixo:
CAPRICHO: Como nasceu ‘a Duquesa’?
Duquesa: Eu sempre tive muito gosto por coisas que eram muito fora da curva no meu ambiente familiar, que é tipo: trabalhe, faça concurso, faça faculdade, espere a aposentadoria e viva, sabe? Fiz publicidade, mas eu andava com uma galerinha que já era de batalha de rima da praça, já era da praça de skate, que já era tipo b-boy.
Chegou no momento que uns amigos meus falaram que tinha uma música com um refrão que ia uma voz feminina, e eu gravei. Na hora de subir para plataforma, perguntaram: ‘Ô, seu nome vai ficar como? Vai criar um vulgo?’ e como eu consumia muitas minas underground, via princesinha do rap, rainha do funk e várias nomenclaturas assim, mas faltava ‘duquesa’, então lancei.
E seu segundo vulgo, Big D?
Eu estava assistindo Dragon Ball Z, e assim, sou ruim de nome, mas tinha um personagem que os guerreiros consultavam para pedir conselhos. E eu achei muito legal ter essa pessoa para pedir conselho, mas como eu morava sozinha, só tinha eu e… eu. E aí criei a Big D pra ser a minha conselheira, sabe? Como meu alter-ego do alter-ego. Aquela voz que fala ‘você deveria malhar’, ‘você deveria fazer o exame de sangue’.
Como seu DDD 75 tem impacto na sua arte?
Quem tem um olhar de que Bahia é só axé e pagodão, não vive na Bahia. A gente aprende a escutar tudo desde pequeno. Então, hoje eu não consigo dizer que majoritariamente na minha carreira eu faço só rap. Eu quero fazer ‘N’ coisas e estilos musicais, porque, senão, não seria eu, sabe? E aprendi isso na Bahia.
E quais foram suas primeiras refs, de quando você era mais nova?
Lembro que fiquei viciada numa cypher da Praça Roosevelt, de São Paulo, que era Brisa Flow, Karol de Souza, várias minas. Além disso, eu escutava muito Tássia Reis, a Karol Conká. A Karol eu era do fã clube dela, real. Depois comecei a escutar as minas da gringa, como Queen Latifah, Da Brat, a Lauryn Hill. E mais underground assim, a Molly Brazzi, que é mais gangster. Foi quando comecei a gostar mais de música mais pesada, inclusive.
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