O que acontece quando garotas constroem um governo do zero

Novo documentário da Apple TV+, 'Girls State', mostra a política a partir da perspectiva de jovens que querem ter voz e direitos garantidos

Por Juliana Morales 14 mar 2024, 18h50 | Atualizado em 29 out 2024, 16h04
Google Priorizar nos meus resultados Google
I

magina um governo formado só por jovens mulheres? E uma suprema corte totalmente feminina? Já pensou se as garotas estivessem à frente de discussões que as afetam diretamente? Esse cenário que parece irreal demais, diante da disparidade de gênero na política, vira realidade no documentário americano ‘Girls State’.

O novo longa da Apple TV+, dirigido por Jesse Moss e Amanda McBaine, acompanha 500 meninas de todo o estado do Missouri durante um programa de uma semana para adolescentes aprenderem sobre democracia. No começo do acampamento, as jovens são divididas em dois partidos políticos: Federalistas e Nacionalistas. A partir daí, elas precisam criar uma plataforma de propostas, eleger as lideranças, buscar aliados, pensar em estratégias, fazer discursos e disputar votos. Ao final, uma das jovens se elege como governadora e um grupo de meninas são escolhidas para formar a suprema corte.

Nós conversamos com os diretores da produção e te contamos a seguir o que esperar dessa história protagonizada por jovens como vocês, leitoras da CAPRICHO.

[abril-veja-tambem]W3siaWQiOjY3MTI0MCwidGl0bGUiOiJFbSAyMDI0LCBxdWVyZW1vcyByZWFsaXphciBvIHNvbmhvIGRlIHZlciBtZW5pbmFzIGUgbXVsaGVyZXMgbmEgcG9sJiN4RUQ7dGljYSJ9LHsiaWQiOjY3ODYzMCwidGl0bGUiOiJFbmNvbnRybyBlbnRyZSBwYXNzYWRvLCBwcmVzZW50ZSBlIGZ1dHVybyBkYSBwb2wmI3hFRDt0aWNhIG5hIGVkaSYjeEU3OyYjeEUzO28gZGUgbWFyJiN4RTc7byJ9LHsiaWQiOjU4NjcxNywidGl0bGUiOiI3IGxpdnJvcyBwYXJhIHZvYyYjeEVBOyBhY3JlZGl0YXIgZGUgdmV6IHF1ZSBwb2wmI3hFRDt0aWNhICYjeEU5OyBwYXJhIGpvdmVucywgc2ltIn1d[/abril-veja-tambem]

Esse programa, realizado pela The American Legion e The American Legion Auxiliary, acontece desde 1930 nos Estados Unidos. Todos os 50 estados têm programas separados para meninas e meninos. Em 2020, os produtores e diretores Jesse e Amanda lançaram o documentário ‘Boys State’, que mostrou garotos de Austin, no Texas, construindo um governo representativo do zero. O filme, gravado em 2018, venceu o Grande Prêmio do Júri da Competição na categoria de melhor documentário dos Estados Unidos. 

Continua após a publicidade

Em entrevista à CAPRICHO, Jesse Moss conta que a intenção não era fazer uma sequência do primeiro documentário, mas contar uma história capaz de se sustentar sozinha, mostrando um outro ponto de vista e contexto.“Como pais de duas adolescentes, que estão amadurecendo politicamente nos Estados Unidos de agora, nós achamos importante ter essa conversa sobre garotas, suas políticas e identidades”, diz. Uma das filhas dos diretores, de 16 anos, inclusive, trabalhou no documentário como assistente de produção.

Os pais também consultaram a outra filha de 14 anos sobre o que ela achou do filme. “Eu perguntei se ela tinha algum comentário e ela falou: ‘Cadê a Taylor Swift? Você disse que as meninas sempre cantavam as músicas dela’”, conta o diretor que acatou a sugestão da filha. “Eu tenho mais de 14 anos, mas quando assisto o filme as vejo nele e acho que tem garotas muito diferentes no filme e cada jovem pode encontrar aquela que fala com ela”, acrescenta.

 

Meninas no poder

O documentário acompanha, especialmente, a trajetória de oito jovens dentro do programa. Emily, uma das grandes protagonistas, é apaixonada por política e jornalismo político e quer concorrer à presidência em 2040, com a campanha “America is Worthmore” (em tradução, a América vale mais). Filha de pastor, a jovem deixa claro que os preceitos religiosos têm uma papel fundamental nas suas decisões políticas e se posiciona de uma forma mais conservadora como candidata ao governo.  

Continua após a publicidade

Já Cecilia é progressista e foi voluntária das campanhas políticas democratas no Missouri e tem a juíza Ruth Bader Ginsburg como sua heroína. Brook também tem opiniões socialmente liberais, apesar de ter nascido em uma pequena cidade de comunidade conservadora. Faith é centrista de família conservadora também. No início da vida, ela se identificou como “visceralmente conservadora”, mas suas posições mudaram para a esquerda. Maddie é uma ativista liberal dos direitos da comunidade LGBTQ+, que participou de protestos desde criança. 

Ainda acompanhamos Tochi, filha de pais imigrantes nigerianos e fã de Angela Davis, que não tem medo de expor suas opiniões políticas e debater sobre raça; a jovem estudiosa, Nicha, que coloca a reforma da justiça criminal no centro do debate político; e Anna, que é presidente de uma organização estudantil e atua em eventos para outros jovens discutirem política.

A partir desses diferentes contextos e posições políticas, cada garota vai traçando sua trajetória no programa. Jesse destaca que “mesmo que o espectador não compartilhe das mesmas visões políticas de personagens, como a Emily, ainda assim é interessante acompanhar a jornada dela” e perceber seu desenvolvimento. “A beleza da narrativa de não ficção é que você conhece uma pessoa em um momento de transformação na vida dela e espera para ver o que vai acontecer”, diz o diretor.

Ao longo do documentário, as garotas precisam aprender a conversar com quem pensa diferente e acomodar divergências para um bem maior. Por meio de rivalidades políticas saudáveis e amizades criadas nos bastidores, elas mostram boas nuances do jogo político. Ao lidar com derrotas que fazem parte do jogo também, as jovens exemplificam que a política e defesa da democracia podem ser feitas de diversas formas – que vão além de assumir o cargo de maior relevância. 

Continua após a publicidade

Como já falamos aqui na CH, dá para fazer política até em casa, na escola, no bairro ou em qualquer lugar. “É uma mensagem muito poderosa de resiliência e para as meninas adolescentes e brasileiras”, afirma Jesse, convidando a nossa galera para assistir seu novo documentário em breve.

‘Girls State’ estreia em 5 de abril no Apple TV+.

 

Publicidade